Contrato entre escritório Parra Saluzzo e Odebrecht revela rede de corrupção no MP

 

Caracas, 11 Oct. AVN.- O procurador-geral da República, Tarek William Saab, revelou nesta quarta-feira detalhes da rede de corrupção que existia nos contratos assinados entre o escritório de advocacia Parra Saluzzo e a empresa brasileira Odebrecht, e que eram protegidos por promotores da antiga gestão do Ministério Público.

A rede de corrupção envolvia em primeira instância a Sociedades Civiles PS-A, escritório de advogados, que era responsável por fazer o seguimento dos pagamentos por contrato da Odebrecht ao escritório Saluzzo em uma conta na Suíça.

O procurador-geral revelou que o contrato de serviços jurídicos assinado pela Odebretch com PS-A em primeira instância foi de US$ 7,5 mihões, e após várias investigações, comprovou-se que havia uma correlação entre as cláusulas e a atuação dos promotores responsáveis pelo caso.

Os promotores Pedro Lupera (fugitivo da justiça), Luis Sánchez (indiciado) e María Gabriela Lucena recebiam propinas para que os casos fossem arquivados.

Saab disse que o escritório Parra Saluzzo recebeu US$2 milhões por assinar o contrato com a Odebretch e US$1 milhão por arquivar as causas contra os cidadãos Jorge Faroh Cano, Sergio Ferraz e Maryorie Garboza, representantes da empresa brasileira.

"Recebeu a quantia de US$1,2 milhão, quando haviam sido retiradas as medidas cautelares que pesavam sobre contas bancárias, bens e ativos da empresa Odebretch na Venezuela", explicou.

O procurador-geral esclareceu que embora em 26 de janeiro o Ministério Público tenha solicitado medidas cautelares contra estes três cidadãos, em 15 de fevereiro, os promotores, através de propinas, solicitaram o arquivamento das medidas contra um indiciado e a empresa; e em 13 de março contra outros dois envolvidos.

"Digam-me então se não há uma relação direta, concreta, entre o que estava na assinatura do contrato do  escritório Parra Saluzzo, que defendia a Odebretch, onde o próprio contrato dizia dois milhões para começar, e um milhão para solicitar, acordar e conseguir esta medidas que efetivamente os promotores solicitaram", denunciou.

Segundo as investigações, o escritório Parra Saluzzo era braço executor "do cartel de corrupção que existia no Ministério Público e que era liderado pela ex-titular" Luisa Ortega Díaz.

Novo impulso ao caso

Saab afirmou que para esclarecer toda a rede de corrupção entre o escritório de advogados e a empresa brasileira, o Ministério Público solicitou na semana passada o indiciamento contra Faroh, Ferraz e Garboza no Tribunal 11 de Controle da Área Metropolitana de Caracas, "como parte do novo impulso deste caso".

"Estamos solicitando o indiciamento dos três. Mantém-se a ordem de apreensão e alerta vermelho contra o cidadão Euzenando Prazeres de Azevedo (diretor da Odebrecht na Venezuela) e obviamente esperamos que o novo impulso deste caso siga em frente, avançando, sem que existam estas coisas tão turvas destes pagamentos indecentes, escandalosos", disse.

O procurador-geral disse ainda que o advogado José Parra Saluzzo, que está preso, "deu nomes" do resto de promotores, diretores e titulares da antiga gestão do Ministerio Público que estavam por trás da rede de corrupção.

"Ele deu nomes, mas de forma informal. Nós insistimos que deve constar em uma ata", acrescentou.

Fotos: Henry Tesara, AVN

11/10/2017 - 02:47 pm