Venda de petróleo em iuan: Parte do novo sistema monetário multipolar e defesa ante bloqueio

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Caracas, 18 Sep. AVN.- As sanções econômicas impostas pelo governo dos Estados Unidos levaram a Venezuela a implementar um novo sistema de pagamento internacional para enfrentar o bloqueio econômico imposto por Washington.

No dia 7 de setembro, o presidente da República, Nicolás Maduro, anunciou o novo esquema que se baseia no uso das "moedas de libre conversão, como o iuan (China), o euro, o ien (Japão), a rupia (Índia) e outras moedas internacionais. Liberar as garras do dólar como moeda opressora", disse no Palácio Federal Legislativo, na apresentação do Plano Econômico pela Paz para a Assembleia Nacional Constituinte (ANC).

A primeira ação pode ser vista na cotação do petróleo venezuelano, que pela primeira vez nesta semana foi divulgada em iuanes pelo Ministério do Petróleo: 306,26 iuanes por barril, equivalentes a US$46,75.

O vice-presidente Executivo da República, Tareck El Aissami, informou dias antes que a Venezuela vai assinar o primeiro acordo comercial em iuanes para venda de petróleo para a China.

Além disso, estão previstas as operações com cesta de moedas no Sistema de Divisas de Tipo de Câmbio Complementar Flutuante de Mercado (Dicom), que permite a transação de divisas para empresas e pessoas naturais, a um preço determinado pelo mercado.

Rússia e China: os pioneiros

Com estas ações, a Venezuela passa a fazer parte de um projeto que já foi iniciado pela Rússia e China. O economista mexicano Ariel Noyola Rodríguez afirmou – em um artigo publicado por Actualidad RT em maio de 2016- que "Moscou e Pequim fizeram de seus intercâmbios de petróleo um canal de transição rumo a um sistema monetário multipolar, isto é, que não esteja baseado unicamente no dólar, mas que tome em conta várias divisas e, sobretudo, que reflita a correlação de forças da ordem mundial atual".

Foi uma ação derivada das sanções econômicas impostas em 2015 por Washington e Bruxelas que, segundo o analista, "incentivaram os russos a eliminar o dólar e o euro de suas transações comerciais e financeiras, pois do contrário, estariam demasiado expostos a sofrer sabotagens no momento de realizar operações de compra-venda com seus principais sócios".

Desde 2015, "os hidrocarbonetos que a China compra da Rússia são pagos em iuanes, já não em dólares", o que lhes permite neutralizar o bloqueio imposto a Moscou pela crise na Ucrânia.
"Os cimentos de uma nova ordem financeira sustentada no petroiuan estão emergendo: a moeda chinesa se prepara para converter-se no eixo dos intercâmbios comerciais da Ásia-Pacífico com as principais potências petroleiras", explica Noyola Rodríguez no artigo "O 'petroiuan' é a grande aposta da Rússia e China".

O analista prevê que, no futuro, a Opep utilizará este modelo de comercialização petroleira, quando Pequim exigir, e acredita que outras nações farão o mesmo, pois "compreenderam que para construir um sistema monetário mais equilibrado, a 'desdolarização' da economia mundial é uma prioridade".

18/09/2017 - 07:23 am