Venezuela rechaça sanções do Conselho da União Europeia contra o país

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Caracas, 14 Nov. AVN.- O governo da República Bolivariana da Venezuela rejeitou categoricamente as sanções impostas pelo Conselho da União Europeia contra o país no último domingo por considerar que violam o direito internacional e o respeito à soberania, estabelecidos na Carta das Nações Unidas.

Em nota, as autoridades venezuelanas exigem à União Europeia cessar sua ingerência nos assuntos internos do país e desmarcar-se da agenda bélica e intervencionista do governo estadunidense.

Veja abaixo o comunicado na íntegra:

A República Bolivariana da Venezuela repudia energicamente a decisão do Conselho da União Europeia de pretender impor ilegais, absurdas e ineficazes sanções contra o Povo da Venezuela. Violando descaradamente o Direito Internacional e os sagrados princípios de respeito à soberania, a autodeterminação dos povos e a não ingerência nos assuntos internos dos Estados, estabelecidos na Carta das Nações Unidas, as instituições europeias demonstram sua lamentável e vergonhosa subordinação aos ditames do governo dos Estados Unidos. Seguindo a agressiva linha de conduta de  Washington, o Conselho Europeu justifica suas ações com argumentos reproduzidos dos documentos sancionatórios que  a administração Trump gerou recentemente contra Venezuela e seu povo.

O Conselho Europeu pretende, além disso, convencer o mundo de um suposto consenso entre seus Estados membros para adotar estas medidas hostis, quando a realidade é que as grandes economias europeias exerceram notáveis pressões sobre o resto dos governos do bloco e as próprias instituições da UE, deixando em evidência as notáveis desigualdades e ausência da democracia interna na "união".

Não é simples coincidência que o Conselho da União Europeia adote estas ações ofensivas às vésperas da reativação da Mesa de Diálogo Nacional, na República Dominicana, anunciada tanto pelo Executivo Nacional como pela oposição venezuelana. Longe de contribuir com a concórdia e a paz na Venezuela, a União Europeia aprovou decisões hostis que somente buscam o fracasso do Diálogo Nacional e buscam favorecer aqueles que geraram violência política, morte e destruição, como mecanismos para ter acesso ao poder por vias inconstitucionais. Vale recordar que com a eleição democrática da Assembleia Nacional Constituinte, a Venezuela retornou à paz política e social, a eleição de Governadores de estado foi realizada recentemente e em absoluta paz , e no próximo 10 de dezembro serão realizadas as eleições municipais, como parte do vigoroso cronograma eleitoral da democracia venezuelana.

Chama a atenção que estas pretensas sanções não somente agridem o povo venezuelano, mas também quase um milhão de europeus que escolheram nosso país como seu lar e que sofreram diretamente os embates da violência política e econômica gerada pela oposição nos últimos meses. A União Europeia estabelece também um perigoso precedente nas relações com a América Latina, atribuindo-se a autoridade para sancionar um país soberano, somente porque seu modelo de democracia popular não se assemelha às formas elitistas e corporativas dos regimes europeus.

Os povos do mundo e a comunidade internacional devem saber que a prioridade da Venezuela não são as armas nem equipamentos militares, e em absoluto esta ineficaz operação midiática e política que afeta nossa segurança interna. O objetivo do Governo Bolivariano é preservar a paz nacional pela via do diálogo e a busca do desenvolvimento com justiça social, superando os problemas atuais.

Diferentemente de países que integram o bloco europeu, não buscamos desviar a atenção de problemas atacando outras nações. O Conselho Europeu deveria impedir que, tal como se evidenciou nos últimos dias, equipamentos da ordem pública sejam utilizados em algum de seus Estados membros, mediante a mais inaudita repressão policial, para evitar o sagrado direito de decidir e desenvolver processos eleitorais em democracia e em paz.

A República Bolivariana da Venezuela reafirma seu irrenunciável caráter independente e soberano, e denuncia estes atos hostis ante a comunidade internacional. Nenhuma decisão das elites e burocracias europeias conseguirá quebrar a decisão soberana de nosso povo de ser livre. O Governo da República Bolivariana da Venezuela exige à União Europeia cessar suas atuações hostis e desmarcar-se da agenda bélica e intervencionista do governo estadunidense que tanto dano fizeram a nosso país e ao mundo. Reiteramos que o povo venezuelano, fiel a sua herança libertária e defensor de sua independência, se manterá firme diante de qualquer ataque ou ameaça e que o Governo Bolivariano se reserva a tomada de decisões em distintos âmbitos para garantir a defesa da paz e soberania nacional.

Caracas, 13 de novembro de 2017

14/11/2017 - 08:52 am